Geanny Márcia Barbosa: mais de 30 anos dedicados à PGE.

Mais conhecida como a “Geanny da PGE”, sua história de vida pessoal se confunde com a sua profissional, afinal, depois de mais de 30 anos dedicados à Procuradoria Geral do Estado de Rondônia, praticamente todas as suas lembranças têm alguma relação com a Instituição.

Natural de Guajará-Mirim, a Gê, como é carinhosamente chamada pelos colegas de trabalho, é a segunda filha dos 3 que o Gilberto Bezerra da Costa e Lecy Cavalcante da Costa tiveram.

A sua infância, como ela gosta de dizer, foi “TOP”, pois teve liberdade para brincar na rua, subir em árvore, e ir para a escola de bicicleta. Sem contar que, pelo fato da cidade ser pequena, todo mundo se conhecia e ela fez muitas amizades durante a fase em que viveu em Guajará-Mirim, estando sempre rodeada de pessoas queridas.

Em 1979, aos 13, mudou-se com a família para Porto Velho – onde conheceu o Alberto Nery Barbosa. Não demorou muito e eles iniciaram um namoro – ele com 17 anos e ela com 14. Tudo ia muito bem quando em janeiro de 1981, Geanny teve que ir para Goiânia. Mas para quem pensou que a distância atrapalhou o romance, enganou-se. Durante os 5 anos em que morou na cidade, eles escreviam cartas TODOS os dias (como ela gosta de frisar) um para o outro. E em 4 de janeiro 1986, eles se casaram.

A mãe do Felipe, de 29, e da Thaís, de 26, não esconde a alegria ao falar da sua trajetória dentro da PGE. O brilho no olhar não muda ao transitar entre lembranças afetivas da vida privada e da profissional. Talvez porque ela nem faça mais essa distinção e a tenha a Procuradoria como uma extensão do seu lar e nos colegas de trabalho uma segunda família.

Conheça um pouco mais do caminho traçado pela Geanny dentro da Procuradoria lendo a entrevista a seguir:

Geanny durante sua rotina de trabalho com os colegas, Teila Araújo e Luís Gonçalves dos Santos.

Qual a sua experiência profissional antes da PGE?

Comecei a trabalhar depois que me casei, quando voltei para Porto Velho. A minha primeira experiência foi em escola pela Seduc. Trabalhei na escola Santa Marcelina como professora do jardim de infância e também na escola São Sebastião como auxiliar de supervisão porque eu fazia faculdade de Pedagogia com especialização em Supervisão. Logo em seguida, fui demitida porque não era concursada, mas passei pouco tempo desempregada e quando retornei a trabalhar, aí já foi na Procuradoria, em junho de 1988. Depois me formei em Direito também, mas apesar de ter passado na OAB, não exerço a advocacia porque me dedico integralmente à Procuradoria.

Quando ingressou na PGE e como foi?

Eu não entrei por meio de concurso, mas em 1989, fui aprovada em um certame do Estado e fiquei como cedida para a Instituição, pois já trabalhava aqui.

Como era a PGE quando entrou?

Foi em 1988 que os primeiros Procuradores, que ingressaram por meio de concurso, tomaram posse, então era tudo muito novo. Logo que eu cheguei, fui direto para o gabinete. O procurador geral era o doutor Erasto Villa Verde e o doutor Olímpio era o adjunto. Eu trabalhei em uma área da procuradoria administrativa, mas que era muito ligada ao gabinete. Depois fui trabalhar como secretária e chefe de gabinete e por lá fiquei quase 20 anos.

Quando eu entrei, se a memória não me falha, tínhamos uma média de 25 servidores incluindo os procuradores. Então era uma estrutura reduzida naquela época.

Era um prédio pequeno, onde hoje funciona o juizado da infância e adolescência, naquele momento comportava os servidores porque éramos poucos. Trabalhávamos com a máquina de datilografia elétrica, depois veio o setor de informática com umas máquinas enooormes que eram os servidores e ficavam em uma sala bem grande por conta do espaço que ocupavam.

Quando começou a era do computador, foi difícil para conseguirmos de imediato os equipamentos. Foi um longo caminho até chegarmos aqui.

Quem ingressou junto com você na PGE que está até hoje?

Maria Quézia do Controle Interno, Jairo do Almoxarifado, Vidal do Patrimônio, o doutor Luciano e o doutor Lerí – que são do primeiro concurso.

E o que você percebe que mais mudou nesses anos?

A Procuradoria cresceu muito não só em termos de recursos humanos com a entrada de servidores e estagiários, mas em questão de estrutura também. Tivemos melhorias na área da Tecnologia da Informação com a compra de novos equipamentos e investimento no desenvolvimento de sistemas. Também teve a chegada de novos procuradores, e uma preocupação em planejar o futuro.

Qual, você considera, o grande marco para a evolução da PGE?

A criação do FUMOR* porque nós trabalhamos com um orçamento muito reduzido e 70% dele é comprometido com a folha de pagamento de pessoal, então o que sobra é incipiente diante de todas as necessidades que possuímos para dar continuidade aos trabalhos. Por meio do Fundo conseguimos modificar nossa estrutura modernizando-a com a compra de novos equipamentos, sede própria e carros para as Regionais. Toda a parte de equipamentos de TI foi comprada mediante o Fundo, assim como a capacitação dos nossos servidores que é um investimento porque melhora a qualidade dos serviços prestados. E tudo isso só foi possível pela criação do FUMOR.

* Fundo Especial de Modernização da Procuradoria Geral do Estado de Rondônia.

O que a fez gostar de trabalhar na PGE durante todos esses anos?

Eu gosto muito da PGE. A valorização do meu trabalho conta muito para mim. Veja bem, eu sou uma servidora nível médio, apesar de já ter feito curso superior, o concurso que eu passei na época era para nível médio e durante todos esses anos confiaram muito no meu trabalho e cada vez mais responsabilidades me foram passadas. Então eu faço tudo com muita dedicação e de coração para que seja feito o melhor para a Instituição. Eu me sinto motivada a dar o meu melhor em tudo que faço. E também, você vai conhecendo outras pessoas, criando laços que são levados para a vida.

Registro de 1999 em comemoração ao seu aniversário nas antigas instalações da PGE-RO (Av. dos Imigrantes). Foto: acervo pessoal de Maria Quézia Reis.

Qual, você acredita ser, a sua maior contribuição para a PGE durante esses anos?

São 31 anos. Uma vida, né? Eu não vejo uma coisa exatamente, mas um trabalho contínuo que oportunizou muitos projetos de serem realizados. A minha contribuição, em tudo que faço aqui, desde que cheguei, é a minha dedicação em cada trabalho, a responsabilidade com que trato cada caso, e o meu profissionalismo em todas as situações. Acredito que isso tenha feito surtir efeito porque foram muitos anos no Gabinete e já são 12 anos a frente da Gerência Administrativa e Financeira, então eu acredito que seja pelos resultados apresentados e pela confiança e seriedade do meu trabalho.

Qual momento você recorda ter sido mais marcante durante sua carreira na PGE?

Por incrível que pareça eu acho que foi a minha vinda para a GAF. Quando entrei no Gabinete foi meio que uma forma de “tá indo, tá indo” e eu fui ficando. Claro que pelo meu trabalho e pela minha responsabilidade também. Mas quando começaram a me sondar para vir para a GAF, a minha primeira resposta foi não porque eu não me sentia preparada para assumir o cargo, mas as coisas foram se moldando de uma forma que eu acabei aceitando. Então para mim, esse desafio da GAF foi tão brusco que eu fiquei assustada, mas pelo voto de confiança que me foi dado, e eu acho que pelos anos que eu estou aí acertando e errando também, eu acredito que eu esteja fazendo um trabalho bom. Até mesmo por que esse setor é o coração da PGE.

Nos anos que passei no Gabinete, parece que eles foram progredindo de uma forma tranquila. Primeiro eu fui auxiliar, depois secretária, e por último chefe de gabinete, então foi um processo e eu dominava aquelas atividades. Mas quando cheguei na GAF, eu não sabia para onde ia uma folha de ponto.

Qual o seu sentimento em relação à PGE?

De gratidão. Profissionalmente foi aqui que eu me formei e eu cheguei a um nível que eu acredito ser o nível máximo para quem entrou como nível médio. Então sou muito grata pela valorização do meu profissional que PGE soube reconhecer.

Quando eu entrei aqui eu não tinha nem filho, e hoje todo mundo conhece meus filhos dentro da Instituição e aqui para mim é como uma segunda casa literalmente. Todo mundo conhece a minha família e minha família conhece os meus colegas de trabalho. Virou um elo muito grande.

O pessoal até brinca que, volta e meia, quando eu preciso me apresentar em algum lugar eu digo assim: “eu sou, a Geanny da PGE”, então é um sentimento de pertencimento muito forte.

Se você fosse agradecer a alguém da PGE, quem seria e por quê?

Eu tenho muitos agradecimentos. Todos os meus chefes que passaram pelo Gabinete e depois aqui na GAF. Mas se for para agradecer alguém hoje, agradeço ao doutor Juraci. Não só por ele ser meu chefe no momento, mas pela amizade que já temos desde que ele entrou na PGE assim como pela confiança que ele depositou em mim.

Não quero ser injusta agradecendo apenas uma pessoa, o doutor Luciano, por exemplo, foi meu chefe várias vezes e sempre esteve ao meu lado em todos os bons e maus momentos. Mas neste momento, eu sinto que o doutor Juraci confia muito no meu trabalho, não que os outros desacreditassem, mas neste momento, a vivência é com ele, então meu agradecimento é para ele, representando todas as pessoas que me ajudaram a chegar até aqui.

O que Geanny – Gerente do GAF, diria para Geanny que ingressou na PGE há 31 anos?

Vai! Mete a cara, estuda, seja ética e honesta que você consegue!

Quais os planos para o futuro?

Ai, Jesus! Minha aposentadoria está bem aí. Mas não vou me aposentar agora, estou pensando na aposentadoria, mas não me imagino longe da PGE. Eu não sei como será cortar esse cordão com a PGE.

Mas a minha perspectiva é ficar mais uns 2 ou 3 anos e confesso que já estou começando a trabalhar o meu psicológico e emocional para eu me desvincular da PGE. Hoje eu diria que é o meu objetivo gradativo.

Geanny orienta a colega, Maria Quézia Reis.

Qual a mensagem que você deixaria para quem pretende ingressar na PGE?

Vem! Eu acho a PGE um órgão muito diferenciado de todos os outros e não só por que eu trabalhei todos esses anos somente aqui, mas até mesmo por trabalhar esses anos todos aqui que eu conheço muito bem a Instituição e as pessoas que estão aqui dentro. Você aprende muito. Tem a oportunidade de adquirir muito conhecimento.

Desde os estagiários que estão começando a vida profissional até os servidores. E tem também o relacionamento que você constrói com as pessoas aqui dentro. Eu percebo que existe um laço de cooperatividade.

Uma frase para finalizar.

Não estou lembrando de nenhuma frase específica agora, mas têm umas coisas que eu coloco como prioridade em tudo que eu faço que é a justiça, a ética e o respeito. Às vezes, nós somos injustos sem nem perceber, mas eu tento ao máximo ser justa. Isso é primordial para que você possa ser alguém. Eu não vejo como alguém ter sucesso na vida se você pisar no colega ao lado. Então isso é tudo para mim.


O que os colegas de trabalho falam sobre Geanny Márcia Barbosa:

“Eu tive o prazer de conhecer a Geanny há mais de 25 anos, quando ela chegou à Procuradoria Geral. Ela é uma servidora competente, extremamente competente, dedicada no que faz, e como pessoa então… Não tenho palavras para descrever! É uma amiga e companheira de muito tempo. Fico até emocionado de falar sobre ela.”

Luciano Alves – Diretor do Centro de Estudos e Procurador do Estado

“Falar da Geanny é um pouco difícil porque ela é uma pessoa cheia de qualidades, mas posso destacar logo de início a competência dela. Nós duas sempre estamos acompanhando o trabalho uma da outra pelo fato de que somos as servidoras mais antigas da PGE-RO.

Hoje ela assume um cargo de muita responsabilidade e que exige muito dela. Ela trabalha com muito zelo e é inteligente. Sem contar que é uma amiga muito querida além de ser uma boa chefe.”

Maria Quézia Reis – Responsável pelo Controle Interno

Fonte:

Texto: Ana Viégas

Fotos: Ana Viégas